Saturday, January 22, 2005

 

portugal no seu pior...

Portugal no seu pior...

Hoje é sábado e dou comigo a pensar que a semana que passou não me deixou blogar, mas não evitou que eu visse e ouvisse o que vai no país do faz de conta. Aliás, estou a pensar conceber um jogo tipo “Politólogos em Família” para propor à Majora. Para a semana vou começar a publicar as regras uma a uma no mundo da blogosfera. Ora vamos lá ao mundo da estupidosfera, que é o da política à portuguesa. Apontamentos desta semana:
- Conheço o Nuno Cardoso desde o tempo em que se ia de calções e suspensórios para o liceu. Foi meu caloiro no liceu da Régua, a terra onde nasceu e onde o Nuno chegou quando eu andava no 4º ano de então. Ainda este Natal nos cumprimentamos com o mesmo afecto de há 30 e tal anos, porque o Nuno é assim – simples, honesto e filho de muito boa gente -, por isso é que se sente. Fala do que sabe com verdade, sem a hipocrisia latina do politicamente correcto, é oriundo de uma região onde os homens aprendem a sonhar com a mesma força com andam à pancada com um rio de muito mau navegar. Se juntarem o exemplo da frontalidade politicamente incorrecta do Emgº Nuno Cardoso com a mesma frontalidade de Pôncio Monteiro, perceberão os militantes intelectualóides dos aparelhos partidários e os comentadores políticos a soldo dos mesmos, que não será de todo conveniente brincar com pessoas honestas deste tipo de criação. O Douro inteiro está ao lado dos seus, e não nos obriguem a tocar a rebate. Combinado?
- O moribundo governo português resolveu assumir um passivo de 100 milhões de euros para viabilizar a Fundação da Casa da Música, no Porto! O espanto é que o mesmo ministério que o propôs, não foi capaz de desencalhar 1% desse montante para viabilizar a Fundação do Museu do Douro, que está encalhado há 7 anos, e, é apenas o maior projecto de museu de território do país, criado por lei da Assembleia da República de 1997! Foi ainda o único projecto que reuniu o consenso unânime de toda a região nos últimos 30 anos! Tudo por incompetência do ministério da cultura, ou, por força dos lobbies da capital que foram levantando os obstáculos necessários ao atraso do projecto! Tudo depois de a equipa de instalação do museu, que trabalhou ao longo de mais de dois anos, ter aberto a sua exposição programática – Jardins Suspensos – que mereceu a visita de cerca de 30.000 pessoas em apenas um ano! Tudo depois do Ministério ter comprado o mais emblemático edifício da região – a Casa da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro – por 1,7 milhões de euros! Tudo isto para perder o direito aos 75% de fundos do III QCA! A pergunta é: Quem vai ser responsabilizado por isto?
- De resto, os políticos portugueses continuam no seu melhor, a jogar aos disparates com a massa de todos nós!; o governo enche páginas do diário da República com centenas de nomeações de última hora, e os noticiários continuam a amparar-lhes a brincadeira; entretanto, começou a javardice das manchetes criminosas acerca dos políticos. Tirem-me deste filme.

Friday, January 14, 2005

 

uma democracia única!

Nos últimos dias Portugal tem assistido a uma alucinante sucessão de episódios que, infelizmente, vêm dar razão ao que penso da nossa maltratada democracia. Chega-se a casa cansado, farto dos disparates com que o quotidiano nos obriga a conviver, e liga-se a televisão na expectativa de distrair a mente, mas rapidamente se percebe que é pura ilusão. Os noticiários começam sempre pela célebre “paralítica”, que o estado em que está a nossa política. A incompetência e inconsistência dos políticos portugueses da actualidade enfada-nos, entristece-nos e deixa-nos com vontade de mandar o país às malvas! Ora porque os governantes andam a jogar ao jogo dos disparates com o nosso dinheiro, ora porque as oposições são frágeis e más. Valha-nos o Presidente Sampaio, à conversa com os chinocas, a dançar o malhão ou coisa que o valha, falando inglês melhor do que qualquer dos 1300 milhões de nipónicos e defendendo interesses do seu país. De resto, ele são as listas de deputados a disputarem os “malucos do riso” da sic, ele são os comentadores políticos ao desafio com os “batanetes” da tvi, ou ainda os dirigentes desportivos a contracenar com os candidatos a “ídolos” em fase de apuramento!
Para além disto, restam as repetidas imagens da tragédia do sudeste asiático com repórteres e pivots disputando audiências, em tudo iguais aos abutres que a National Geografic nos mostra em círculos à volta da carne morta.
Eis o cenário que me suscita duas questões: Será que os portugueses são sádicos por natureza? Ou será que a massa crítica da maioria dos portugueses bateu no fundo por habituação?
Ou será que Portugal tem a democracia mais sui generis do mundo, isto é, a única democracia suportada por duas ditaduras – a partidocracia e a mediocridade?
Digo eu, não sei…


Sunday, January 09, 2005

 

antes que esqueça

Tarde e más horas cá cheguei à Blogosfera! Alguém me criou o blog, deram-lhe um nome, e a seguir o mesmo alguém disse: Agora vê se escreves. Como estávamos a iniciar o ano, deixei que esta aventura começasse com uma crónica rescaldo do malfadado 2004.
Entretanto, alguém me ligou e alertou para o facto de não ter criado um conceito para o meu espaço blog. Ao mesmo tempo, alguém me provocava: – Com que então já deste entrada na nova fábrica de intelectuais mediáticos?!... Não quero nada disso, tirem-me desse filme. Estou tão bem, no sossego das vinhas do Douro, onde ainda é possível escutar os ruídos do silêncio, sem deixar de estar em contacto com o resto do mundo. É claro que é preciso dizer uma meia dúzia de coisas de quando em vez; é preciso puxar as orelhas a meia dúzia de medíocres, que envergonham a língua portuguesa diariamente, dando razão e universalidade actual às Farpas do Eça e do Ramalho. Falta por aí alguém que compare essas críticas com os disparates, a falta de decoro e a mediocridade que se retira dos diários da Assembleia da República dos nossos dias.
É claro que ainda estão vivos meia dúzia de políticos com nível, cultos e competentes, da nossa democracia, mas insuficientes para lutar contra a filoxera portuguesa da actualidade – a mediocridade e a partidocracia – que é como quem diz, a democracia portuguesa está paraplégica e é sustentada por estas duas ditaduras, que lhe servem de muletas!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Digo eu, não sei.
É claro que ainda há por aí gente boa e boa gente, que é como quem diz, gente honesta, que sabe o que diz e apenas diz o que sabe. (mas são muito poucos) .
Aqui, na dita província, as conversas fazem-se mais à volta da lareira, com os cães por perto, bom vinho do Porto e bons livros. No passado final de ano, já de cálice vazio, alguém se lembrou de me perguntar: - Ó Zé, e tu que dizes dos fazedores de opinião das televisões? – Digo o que me apetece. – respondi; - Tá bem, homem, mas acreditas em algum?; há por aí dois ou três que me agradam – O Sousa Tavares parece-me honesto, mas não sei que café frequenta(?) e é do muito Puarto, carago; o Pacheco Pereira é corajoso, sabe do que diz o diacho do home, mas ainda tem o penico dependurado à porta do partido; há ainda aquele rapaz de direita, com piada e sabedor, o Pedro Mexia, mas bebe água tónica em vez de vinho do Porto...
Enfim, aqui o Zé da Vinha, vai aproveitar este recreio para puxar orelhas e dar palmatoadas à rapaziada, tudo entre o sossego dos bardos e nunca sem antes ouvir o bom senso dos canitos deitados à lareira.
Digo eu, não sei...
Inté.

Saturday, January 01, 2005

 

um ano para esquecer

A três dias do fim do ano, antes de subir os penosos degraus que me levam à redacção, estaciono o sono em frente ao quiosque e compro o jornal cuja primeira página misturo com o café-cheio da manhã.
Fico com o pacote de açúcar parado a meio do caminho, porque entre a chávena e o jornal há a fotografia de um homem da costa do Sudeste Asiático, agarrado à mão de uma criança morta pelo tsunami de 26 de Dezembro de 2004. A avaliar pela semelhança das mãos é, provavelmente, um filho. Com a dor – é essa a única palavra-legenda – estampada no rosto, aquele homem passeia a sua existência pelas dúvidas da angústia e da impotência perante uma natureza ladra, que sem pedir licença aos deuses, invejosa como sempre, resolve ceifar num ápice centenas de milhar de vidas– apenas um rosto de entre mais de 200mil.
É assim que me ponho a pensar no presente e a fazer uma retrospectiva do ano que agora faz gáudio em terminar com uma tragédia. São assim as grandes notícias, com direito a parágrafos de abertura, mesmo que a morte seja o motivo da fidelidade de quem as lê. Nada melhor para encerrar um ano catastrófico para o mundo e para os portugueses, perdoe-se a ironia de mau gosto. Senão vejamos:
- No natal português de 2004 tivemos mais 150.000 famílias a viver o drama do desemprego;
- Portugal passou por dois governos – um estrangulou-nos e outro estrangulou-se com a corda da sua incompetência - com dois primeiros-ministros ímpares – o primeiro fugiu para Bruxelas antes da casa cair, trocando um punhado de trapalhadas que não sabia resolver por um ordenado chorudo, o segundo trocou o jogo das saias nas noites da capital pelo jogo dos disparates no palácio de S. Bento! E como se isso não chegasse, permitiu aos seus sequazes imperdoáveis trincadelas na democracia e na liberdade;
- Na Assembleia da República os nossos deputados elevaram a política ao seu menor conceito, permitindo que o ridículo da política portuguesa batesse no fundo – discutiram o país aos coices e proferiram discursos que mais pareciam relinchos – e enquanto isso, nós lá fomos pagando o recreio de luxo dos rapazes;
- Os rapazes governantes pregaram meia dúzia de mentiras ao povo e, à bela maneira do merceeiro sacaram 1400 milhões de euros aos trabalhadores da CGD para baixar as calças do défice à Europa dos incumpridores – primeiro apertaram-nos o cinto até ao furo zero, depois puseram-se a jogar monopólio com o nosso património.
- O Presidente da República, depois de quatro meses de recreio, dissolveu a A.R. e os rapazes amuaram, como faziam os miúdos da escola primária quando levavam umas palmatoadas por não fazerem os trabalhos de casa;
- Entretanto, a maioria dos portugueses divertiu-se a apreciar os shows mediáticos dos processos Casa Pia e Apito Dourado, como se se tratasse de uma espécie de Quinta das Celebridades, com mais porquinhos e menos vaquinhas, mas ao mesmo nível de mediocridade e audiências;
- Entretanto, sociólogos, psicólogos, e comentadores anunciaram até à exaustão que Portugal está deprimido – e está mesmo;
- E perguntar-me-ão os leitores: Então e as alegrias e euforias do Euro 2004? – Efeito balão! – respondo eu. O Euro 2004 funcionou enquanto durou, como o balão que se enche para saltitar de mão em mão enquanto não se esvazia – bandeiras nas janelas, vitórias em campo, lágrimas de emoção, orgulho nacional, e… o dia seguinte à derrota com a Grécia!
Mas não ficamos sozinhos. A nível internacional, bem podemos elencar uma série de desgraças – O ataque terrorista do 11 de Março em Madrid, a interminável guerra suicida do Iraque, o homicídio terrorista às crianças de Beslan, a contínua desculpa de Pinochet, a vitória de Busch, a morte de Arafat, etc, etc, etc…
Mas Portugal não pode nem deve continuar a viver com o mal dos outros, exibindo orgulhosamente o seu umbigo ao léu, como agora s

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