<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308</id><updated>2011-04-21T21:16:45.530-07:00</updated><title type='text'>Digo eu, não sei</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://braga-amaral.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>22</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-115548596453559904</id><published>2006-08-13T09:18:00.000-07:00</published><updated>2006-08-13T09:19:24.546-07:00</updated><title type='text'>Tristezas para o jantar</title><content type='html'>À semelhança de uma boa parte dos portugueses, tenho por hábito jantar acompanhado pelo telejornal das oito da noite que se vai repetindo nos vários canais de TV. Nestes últimos dias de Julho fixei três situações que não posso, não podemos nem devemos deixar de comentar.&lt;br /&gt;- Entre a sopa e o bife o apetite foi-se! Eram cinco ou seis libaneses mortos, dos cerca de sessenta civis que os mísseis israelitas mataram em Canaã, cobertos por um plástico que deixava perceber o ultimo olhar de uma criança que parecia querer perguntar: Porquê? Na imagem seguinte uma mulher já sem lágrimas encostava ao peito um homem banhado em sangue – qual Pietá  do Líbano – derramado em nome do maior negócio do mundo – a guerra - , enquanto uma senhora, na imagem seguinte, muito bem vestida e de penteado moldado a cinzel, se mostrava horrorizada pelo sucedido – Condoleza Rice, em tournée de charme, mas ao longe, parecia querer dizer: Desculpem, mas não foi para isto que nós apoiamos os israelitas, de facto o armamento foi… para mais tarde o porta voz da Casa Branca vir dizer ao mundo que já puxaram as orelhitas a Israel, mas não podem exigir o cessar fogo, até porque o petróleo precisa de aumentar de preço para os americanos recuperarem os gastos com o Iraque. Entretanto, a guerra continua e a criança de Canaã morreu sem saber porquê.&lt;br /&gt;- Entre o bife e a sobremesa, aparecem-nos os lucros da banca. Os quatro maiores bancos privados de Portugal apresentaram no primeiro semestre um lucro líquido de 957 milhões de euros (quase 200 milhões de contos)! E perguntamos: Como? Quer dizer, e a crise? Mas se os portugueses não têm dinheiro, as fábricas fecham ou fogem de Portugal e deixam milhares no desemprego e as empresas abrem falência, com que dinheiro fabricam estes senhores tamanho lucro?! Ganham-no à custa do dinheiro de quem? No estrangeiro em investimentos e em Portugal em comissões sobre os desgraçados dos clientes? Ou ganham-no à custa da mão de obra barata e da exploração daqueles rapazes bem vestidos de fatinho inglês e gravata brilhante que trabalham até cair para o lado a troco de mei dúzia regalias bancárias, só porque o sonho deles era aquele fato, aquela gravata e um carro da classe média-alta? Bom, que os bancos ganhem dinheiro, tudo bem, mas que o façam em Portugal, com o dinheiro dos portugueses. Ainda por cima, como prémio para os meninos bem comportados que tiraram boas notas, o Estado baixa-lhes a taxa de imposto para 17,2%! Será que o objectivo é transformar o nosso país num novo e real parque Disney, com Tio Patinhas, Irmãos Metralha e Professor Pardal, enquanto aqui os Mikeys e as Minnies dão o coiro ao manifesto e entregam 19% trimestralmente para a piscina do Estado.&lt;br /&gt;- Estava eu a dar o último gole no copo de vinhinho e aparecem os concertos de Verão. Na Zambujeira do Mar vão vender-se pelo menos 25.000 litros de cerveja e outros tantos de águas e refrigerantes, para satisfazer umas centenas de bezanas e uns milhares de ecstazys! E pergunto eu: então e o vinhinho português que está nas adegas à espera dos festivais? Pessoal, não vai um branquinho fresco, maduro ou verde, ou, um Porto Tonic com muito gelo? Ainda por cima o vinho já está fermentado e a cervejola acaba o serviço no sangue daqueles que à vinda aumentam o índice de mortalidade nas estradas. Jantar destes caiem tão mal! Decidimos mesmo fechar a televisão e tomar o digestivo necessário a estas paragens de digestão à portuguesa, não fosse aparecer um incêndio, para “pôr a cereja no bolo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-115548596453559904?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/115548596453559904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/115548596453559904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2006/08/tristezas-para-o-jantar.html' title='Tristezas para o jantar'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-115358433010901098</id><published>2006-07-22T09:04:00.000-07:00</published><updated>2006-07-22T09:05:30.120-07:00</updated><title type='text'>entretanto, no dia seguinte</title><content type='html'>Há expressões para todos os gostos, pinturas da mais fértil imaginação, bandeiras e cachecóis de todas as formas e feitios, fés e devoções, enfim, euforias de todos os graus.&lt;br /&gt;A D. Amélia apareceu-me há dois dias, ao jantar, com uma Nª Sª de Fátima em punho, lavada em lágrimas, a garantir o apuramento da selecção para a final deste Mundial 2006; o Silva do rés-do-chão põe adesivo na boca da família durante os jogos, para poder ouvir na perfeição os seus próprios impropérios, que dirige ao écran da televisão na esperança de ser ouvido pelos árbitros e pelos jogadores adversários; a La Salete comprou um “top” para levar para o Castelo do Queijo, suficientemente reduzido, de forma a que não se percam de vista as cinco quinas à volta do umbigo e as pinturas de guerra desenhadas nas “catarinas”; o Nelo da barbearia faz cortes “máquina um” com os números dos jogadores preferidos rapados nas carecadas; a Maria Augusta, ultimamente, leva todas as semanas para a venda da feira, a coqueluche do momento – cuequinhas de senhora com a fotografia do Cristiano Ronaldo encostada na “pombinha”; os deputados da Nação pararam de “deputar” para ver a selecção; os médicos pararam de medicar; os trolhas entalaram a colher da massa entre dois tijolos, até ao fim do jogo; as ruas esvaziam-se para respirar, enquanto pelas janelas saem, ou entram, os gritos estridentes das famílias, ou, dos mundialódromos: Gooooooooolo, Portugaaaaal.&lt;br /&gt;Nos dias seguinte às vitórias, pelo menos até hoje, vendem-se jornais para mais tarde recordar, reduz-se a 30% o tempo útil de trabalho nas empresas, e, abrem-se enormes sorrisos perante as “aparentes” dificuldades do dia-a-dia. Portugal anda adormecido e feliz, pelo menos “aparentemente”, permita-se a imagem, embebedado de felicidade gaseificada, sem pensar no dia seguinte. É claro que é óptima a auto-estima colectiva que nos provoca o sangue português a correr e a marcar nos relvados do Mundial 2006; não me parece é que sejam muito saudáveis os exageros que se vêem e relatam como tristes façanhas dos fanáticos jogadores de bisca lambida, também treinadores de bancada, que chegam a tirar da boca o pão para ir à Alemanha comer a relva.&lt;br /&gt;Em vésperas do encontro com os “boys” que passeiam a arrogância de Sua Majestade, não é previsível um desfecho final para os nossos rapazes, mas há algo de que podemos ter a certeza, a festança, mais tarde ou mais cedo, vai acabar, e no dia seguinte... bom, no dia seguinte, independentemente dos resultados, como fica este nosso Portugal? Tiram-se as pinturas, certamente, lavam-se as “catarinas “ da La Salete, a D. Amélia arruma a santinha no gavetão da roupa interior, o Cristiano Ronaldo desaparece das cuequinhas desbotadas por tanto suor português, e, os portugueses deixam de dizer “Somos os maiores” para passar a dizer “o país está uma merda”, o governo fica outra vez sem biombo e terá que se tapar rapidamente com qualquer coisa que adoce o bico às multidões que agora fritam pelos “heróis do mar...”, e, passarão a gritar “Gatunos, filhos da p... que nos levam a massa toda nos impostos...”.&lt;br /&gt;Mas nem tudo é mau, sejamos justos, o “carnaval da bola deu de comer a umas quantas famílias, aumentou consideravelmente o lucro das centrais de cerveja, e, o mais importante, a família do Silva vai poder voltar a conversar, mesmo que seja de futebol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-115358433010901098?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/115358433010901098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/115358433010901098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2006/07/entretanto-no-dia-seguinte.html' title='entretanto, no dia seguinte'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-111867871237447273</id><published>2005-06-13T09:04:00.000-07:00</published><updated>2005-06-13T09:05:12.380-07:00</updated><title type='text'>até amanhã, Eugénio</title><content type='html'>Eugénio de Andrade é, provavelmente, o maior poeta português vivo. O homem com que se vestia a sua poesia morreu hoje.&lt;br /&gt;Os denominadores comuns à sua poesia são, quase sempre, a sua mãe, por quem o poeta é um apaixonado, contra o próprio pai, que rejeita, corporizando o sortilégio edipiano que o acompanhou toda a vida.&lt;br /&gt;Eugénio de Andrade é um depurador da palavra, e um inimigo nato da adjectivação, utilizando sempre a matéria substantiva das coisas com todo o seu peso. Vejam-se por exemplo os títulos dos seus livros –“as mãos e os frutos”, “rente ao chão”, ou “o sal da língua”, entre outros.&lt;br /&gt;Poeta do mundo, de uma geração literária marcante do século XX, a dos anos 40/50, amigo pessoal de Sofia de Melo Breyner Andresen, de José Régio, ou de Jorge de Sena, depois da sua reforma profissional, entrega a sua vida à poesia e à tradução de clássicos gregos, sendo o único tradutor ibérico de Safo, a maior poetiza grega de sempre, iniciando a sua fase de maior intensidade de publicação, sobretudo depois de o município portuense lhe ter doado o edifício onde vive hoje e onde se encontra a Fundação Eugénio de Andrade, no Porto.&lt;br /&gt;Eugénio de Andrade, diz quem o conhece bem, era um homem de feitio difícil, às vezes intolerável, que contrasta em tudo com a leveza das palavras de um homem apaixonado por gatos e por tílias, e capaz de conversar horas a fio com uma chávena de chá, a sua bebida preferida, enquanto espera pela visita dos amigos, a quem poderia facilmente telefonar, de qualquer distância, convidando para “uma  chávena de conversa”.&lt;br /&gt;A sua formação musical clássica é de extrema exigência, de tal forma que quando ouvia os  programa  de antena 2 da RDP, se detectava alguma gaffe, telefonava de imediato a corrigir o apresentador.&lt;br /&gt;A música das suas palavras vem também da música clássica, sobretudo piano, que ouve ininterruptamente.&lt;br /&gt;A comunicação social foi sempre o seu inimigo número um, detestando exposições e multidões, preferindo o recolhimento do seu quarto virado para a barra da foz do Douro. Esse rio por quem Eugénio se apaixonou e que subiu de barco, pela primeira vez, no ano 2000, para participar na colectânea de poesia “Douro, um percurso de segredos”, juntamente com mais sete poetas e quatro fotógrafos, e, quando se encontrou com Torga no monte S. Leonardo, interrompeu o silêncio dos seus companheiros com a seguinte expressão: «É em sítios como este que percebemos a verdadeira dimensão da nossa pequenez.».&lt;br /&gt;Se é verdade que as mãos e os frutos da sua poesia não serão mais colhidos pelos poetas mortos, não é menos verdade que os poetas vivos semearão flores e colherão abraços. As tílias e os gatos é que perderam as palavras, e as mães perderam um sacerdote com o Hábito bordado de sílabas essenciais.&lt;br /&gt;Resta-nos reler o mestre que conversava comigo chávenas de chá adoçadas com conselhos de palavras únicas. Até amanhã, Eugénio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-111867871237447273?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/111867871237447273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/111867871237447273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/06/at-amanh-eugnio.html' title='até amanhã, Eugénio'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-111193231761254229</id><published>2005-03-27T06:02:00.000-08:00</published><updated>2005-03-27T06:24:58.916-08:00</updated><title type='text'>nao cuspam assim no teatro, ou a comédia dos políticos medíocres</title><content type='html'>Há exactamente nove anos, a cidade da Régua via nascer uma companhia de teatro – Roga D’Arte, Teatro do Alto Douro. Sem tecto nem palco, um grupo de saltimbancos apareceu nas ruas da cidade com uma mensagem clara de apoio à arte e à formação de públicos. Estávamos então no dia mundial do teatro, e um ano depois, no mesmo dia, chamamos a atenção para a existência do célebre edifício italiano, abandonado, o denominado “Teatrinho”, e foi a partir daí que se iniciou o processo de classificação deste imóvel.&lt;br /&gt;Ao longo dos anos, com cerca de uma peça levada à cena por ano, a companhia de teatro foi ganhando o respeito e a consideração da cidade e da região, recebendo o apoio da Casa do Povo de Godim, que lhe cedeu o seu palco para que aí o Roga D’Arte tivesse a sua sede. A partir de então, o Roga formou públicos vários, trabalhou gratuitamente para as escolas do ensino básico do seu concelho, formou actores e jovens, foi às escolas dar formação, mexeu com o espaço cultural da cidade que se orgulha deste seu grupo que já conta com milhares de espectadores; entretanto, organizou dois festivais de teatro amador, na Régua, e, entretanto, sem qualquer apoio significativo da sua autarquia! Fica mesmo na cauda dos menos subsidiáveis, e tem sido preterido especialmente nos últimos quatro anos; entretanto, com o apoio do ministério da cultura, do Inatel e do público, esta companhia de teatro amador, não só atingiu o patamar da autonomia técnica e humana, como também não tem qualquer dívida. Entretanto, a sua câmara municipal é tão sensível a estas coisas da cultura, que não percebeu que é no desenvolvimento cultural dos seus munícipes e na oferta cultural que forem capazes de oferecer, que estará o desenvolvimento económico-social da comunidade e o crescimento da massa crítica de que, normalmente, os políticos medíocres se afastam...&lt;br /&gt;Como se tudo isto não bastasse, hoje, dia mundial do teatro, a Roga D’Arte recebeu da Câmara Municipal de Peso da Régua um presente especial, para compensar o subsídio que não deu ao teatro, justificado e pedido há cerca de seis meses, os ditos políticos de visão curta resolveram contratar uma companhia de teatro profissional, subsidiada anualmente com milhares de contos pelo Ministério da Cultura, para em 2005 vir à cidade da Régua apresentar cinco parcos espectáculos! Para isso o município dispendeu vários milhares de euros, que diz não ter para as associações culturais de todo o concelho! E esta, hein? Chama-se a isto faltar ao respeito dos cidadãos e cuspir na cara dos actores locais. Chega de insultos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-111193231761254229?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/111193231761254229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/111193231761254229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/03/nao-cuspam-assim-no-teatro-ou-comdia.html' title='nao cuspam assim no teatro, ou a comédia dos políticos medíocres'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-111170542753714281</id><published>2005-03-24T15:02:00.000-08:00</published><updated>2005-03-24T15:03:47.540-08:00</updated><title type='text'>Afinal, a poesia é mulher!...</title><content type='html'>O momento é de palavras que giram à volta de palavras, que aproveitam o conhecimento dos signos para colocar questões sem resposta tangível – Afinal, o que é isso da poesia? –, e os discursos giram à volta de si mesmos, agarrados à berma da existência para não correrem o risco de serem centrifugados pela realidade. Entretanto, nadando contra o maremoto dos olhares, saltando, fila após fila, as cadeiras onde se sentam as sombras, desenha-se o olhar atento que vem do fundo, emergente dos aromas cor de rosa do seu sorriso, como se fossem sinais de fumo anunciando que a poesia é mulher.&lt;br /&gt;No parque demarcado por ciprestes vermelhos e luzes estrelares, o olhar levita e entra pelo discurso adentro, modificando a rotina das sílabas com que se escrevem as paixões – era a aparição da caligrafia da alma, sorrindo serenamente no canto da sala dos sons distantes dessa alquimia secreta com que se criam os poemas que nos segredam as alegrias dos prazeres consentidos – os abraços que se haverão de dar na eternidade.&lt;br /&gt;Poderia chamar-se Maria, Raquel, Madalena, Teresa, Safo, Marisa, Inês, ou simplesmente mulher, mas era concerteza a presença da tal musa das tranças pretas, sob o manto diáfano da poesia...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-111170542753714281?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/111170542753714281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/111170542753714281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/03/afinal-poesia-mulher.html' title='Afinal, a poesia é mulher!...'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-111162112551509045</id><published>2005-03-23T15:36:00.000-08:00</published><updated>2005-03-23T15:38:45.516-08:00</updated><title type='text'>o abraço dos pastores de versos</title><content type='html'>Depois da neve, com as amendoeiras e os pessegueiros em flor, sobem o planalto de Ansiães os pastores de versos. Vêm dos quatro pontos cardeais com a alegria de quem traz a alma escondida em páginas, assumindo a condição de poetar, olhos nos olhos com os confrades que se confessam à volta da mesma fogueira. São poetas populares que respondem à sineta cultural de Carrazeda de Ansiães, que há já seis anos, a 21 de Março –  dia mundial da poesia – chama à praça homens e mulheres que têm o hábito de ditar o peso ou a leveza dos dias para cima de folhas brancas. Vêm de rimas na boca, ansiosas por sair, mas depois de um dia inteiro de poetas vestidos a rigor, partem de novo para o seu covil, com dúzias de abraços, porque, dizem alguns, os abraços são mais importantes do que a poesia.&lt;br /&gt;Os culpados são Eugénio de Castro e Olímpia Candeias, a alma e o motor da Câmara Municipal, que não só são Presidente e Vice-Presidente da autarquia, mas também são gente de cultura!&lt;br /&gt;Este ano, para redimensionar o VI Festival de Poesia Livre, convidaram alguns dos chamados “eruditos” escribas da poesia dos anos 90 – Marília Miranda, Jorge Velhote, Mário Mendes, Maria José Quintela e até eu – que aí foram para conviver com Carrazeda e mais uma dúzia de poetas da região. Abriram-se os livros ao sabor de febras com poesia e vento, pela manhã. Na biblioteca municipal os pequenos do ensino básico brincaram com os poetas e cantaram teatros de brincar com a poesia e a música da Marília. Ao fim da tarde, no auditório, a questão era mais complicada: Afinal, o que é isso da poesia? – perguntava-se à poesia. Cada um à sua maneira, cada um lhe acariciou a pele, e todos se ficaram com o prazer de a despir e vestir a seu bel prazer, com o fascínio de saber que não haveria resposta que se embrulhasse em papel de laçarote.&lt;br /&gt;Ao longo do dia, entretanto, todos os poetas populares puxaram das suas caixinhas de jóias para mostrar, e disse-se muita poesia e muitos versos, alguns bem puros porque realmente populares, e muitos nomes ficaram na memória dos nossos novos amigos – Alzira Borges, Carlos Samões, Flora Teixeira, João Cardoso, Joaquim de Matos, José Corte Real,  Rui Sampaio, Sandra Lourenço e Marcolino Fernandes, o professor-cesteiro que veio de Miranda do Douro carregado de cestas, dentro das quais trazia a alegria para todos, poesia e música mirandesa para nos calar sorrindo.&lt;br /&gt;Só tem que ficar vaidosa a poesia, que apareceu à festa com sorrisos cor-de-rosa, porque depois dos versos e dos abraços a tertúlia continuou até que o Sol a calasse por mais um ano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-111162112551509045?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/111162112551509045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/111162112551509045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/03/o-abrao-dos-pastores-de-versos.html' title='o abraço dos pastores de versos'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-111136560038782316</id><published>2005-03-20T16:34:00.000-08:00</published><updated>2005-03-20T16:40:00.386-08:00</updated><title type='text'>A caligrafia da neve</title><content type='html'>Do alto das margens surgem as surpresas escondidas no percurso de segredos que é o vale do Douro. Quando se desce da Pesqueira para o lugar da Valeira, passa-se ao lado do eremitério de S. Salvador do Mundo, onde de Verão ou de Inverno se ouvem os gritos surdos da história do naufrágio do Barão de Forrester, lá no fundo, na garganta de rio onde se inscreve na escarpa a visão telúrica da fronteira entre o país vinhateiro e o Douro selvagem.&lt;br /&gt;Um dos segredos é desvendado pelo Inverno. Fevereiro frio adentro, desce-se até ao rio sob a brisa fria que vem de cima, atravessa-se a barragem com a certeza de que se passa para outro hemisfério, com os olhos postos no planalto de Ansiães, a caminho de Carrazeda. À medida que se sobe o frio aumenta e a escrita interminável das águas, sobre a tela do tempo, dá lugar  à caligrafia da neve sobre a pele dos montes pautados pelas famílias de pinheiros e pelos bardos de vinha. A luz reflectida pelo branco sobreposto às rugas da vegetação parece iluminação de lanternas vivas para almas às escuras.&lt;br /&gt;Chega-se a Carrazeda de Ansiães com a sensação de entrar no espaço de uma vila de brincar coberta de algodão doce. Há ruas salpicadas de olhares etéreos, observando o barulho da neve a cair sobre o espanto de espíritos, aquecidos por este capricho da natureza. Apetece ficar e sentir o calor deste abraço branco e quente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-111136560038782316?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/111136560038782316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/111136560038782316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/03/caligrafia-da-neve.html' title='A caligrafia da neve'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-110980411832765549</id><published>2005-03-02T14:53:00.000-08:00</published><updated>2005-03-02T14:55:18.326-08:00</updated><title type='text'>há frios e frios...</title><content type='html'>Está muito frio! Lida assim, a frio, esta frase é de uma vulgaridade e evidência cortante. Mas... se esse frio nada tiver a ver com a geada que cai, mas com a tristeza que sai da alma de qualquer português de cara lavada, depois de ter lido a manchete do DN de hoje – Portugal, 320 mil crianças na pobreza! É... é assim mesmo. A Unicef”afirma que Portugal é um dos países em que este indicador está em crescimento – 15,6% (sic).&lt;br /&gt; Segundo o espírito da Convenção das Nações Unidas, os interesses das crianças deviam ser prioritários nas políticas dos governos. Porém, vivemos num país onde os políticos e as políticas se entretêm a falar de casos e défices orçamentais, enquanto 320.248  crianças tiritam de frio e de fome, e somos o 6º país da OCDE com maior índice de pobreza infantil. Depois desta notícia, já faz sentido dizer secamente: Está muito frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Tinha dois ou três casos para falar, mas não me apetece. Tenho frio e recuso aconchegos fáceis.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-110980411832765549?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110980411832765549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110980411832765549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/03/h-frios-e-frios.html' title='há frios e frios...'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-110946136467270138</id><published>2005-02-26T15:40:00.000-08:00</published><updated>2005-02-26T15:42:44.673-08:00</updated><title type='text'>um fadinho á portuguesa</title><content type='html'>Depois de ler os chamados jornais de fim de semana, de trabalhar quase toda a tarde e de jantar  sossegada e vagarosamente, como se impõe aos sábados, acompanhado pelas notícias das mortes, das violações, das detenções, e, das representações dos políticos de razoável má qualidade dos nossos largos de bairro, que são os partidos políticos. Por falar nisso, o PSD tem as suas marchas de S. Pedro, Santo António e S. Luís marcadas para Abril, e acho que o tema é: “os gladiadores”; porém, enquanto se prevê uma guerra do tipo Topo Gigio defronta Mickey sob a ameaça de Olívia Palito, Santana vai preparando o guião da pequena metragem “Zé do Telhado assalta Belém”; o PS terá a procissão de Sócrates lá para Março e anda tudo à rasca para saber quem são os anjinhos que vão pegar ao andor socialista; o Jerómino (é assim que dizem na minha aldeia) anda feliz com mais dois bónus no parlamento, mas triste porque ainda não encontrou forma de se livrar da personagem Odete, que segundo as más línguas vai ser contratada pela Nestlé para os rótulos dos Bledines, garantindo o consumo dos mesmos pelas crianças, na razão lógica directa dos maços de tabaco que dizem: Fumar Mata; o Louçã, sossegadamente, vai enrolando um charrito, a pensar na melhor ganza para criar as alegorias parlamentares adaptáveis a Sócrates, qual Platão; Paulo Portas esfrega já as mãos de liberdade para criar o Independente II, ou, assumir um concubinato com a menina Serra Lopes na liderança do referido pasquim, e mandar às malvas os gravatinhas que o co-incineraram. Ah! há ainda o fadista! o Nuno da Câmara Pereira, que enquanto frequenta umas aulas de boa educação e civilidade, prepara um fadinho à portuguesa para animar as sessões do parlamento onde chegou pela primeira vez! A democracia tem destas coisas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-110946136467270138?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110946136467270138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110946136467270138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/02/um-fadinho-portuguesa.html' title='um fadinho á portuguesa'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-110937089366043898</id><published>2005-02-25T14:32:00.000-08:00</published><updated>2005-02-25T14:34:53.660-08:00</updated><title type='text'>ler é o melhor remédio...</title><content type='html'>Pois muito bem, enquanto espero pelo novo governo e me divirto com as jogadas palacianas do PSD, MM defronta FM (e não estamos a falar de estações de rádio), vou assistindo às vitórias do Sporting, vou trabalhando na melhor revista do mundo, e, vou lendo uns livros.&lt;br /&gt;Hoje, à falta de notícias comentáveis, aconselho-vos um livro de António Ramos Rosa, esse expoente da poesia portuguesa que está por reconhecer. “Gravitações” é uma colectânea de belíssimos poemas que aconselho vivamente. Só para aguçar o apetite, aqui vão os dois primeiros versos do livro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Não dissemos as palavras mais simples&lt;br /&gt;a caligrafia das águas sobre a pedra (...)»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma verdade para quase todos, não? É aqui que reside a universalidade dos poetas com direito ao epíteto. E são tantos os que ainda habitam o limbo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro livro que estou a ler é de uma das mais reconhecidas escritoras galegas da actualidade – Lola Beccaria – e o livro é um romance inquietante e de linguagem totalmente crua, intitulado “Uma Mulher Nua”. (o preço dos afectos versus os preconceitos dos sexos)&lt;br /&gt;Aconselho ainda mais dois livros que estou também a ler: as «Farpas» de Eça e Ramalho, e, «O espírito da letra», uma colectânea de ensaios de João Bigotte Chorão sobre vários clássicos da literatura portuguesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-110937089366043898?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110937089366043898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110937089366043898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/02/ler-o-melhor-remdio.html' title='ler é o melhor remédio...'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-110910077346445227</id><published>2005-02-22T11:30:00.000-08:00</published><updated>2005-02-22T11:32:53.466-08:00</updated><title type='text'>o perigo do  c.u.</title><content type='html'>A ser verdade que o próximo governo vai introduzir na administração pública o chamado cartão único (c.u.), com toda a identificação de cidadania dos portugueses – BI, NIB, NIF, Segª Social, C. eleitor, carta de condução, etc – podemos estar à beira de grandes convulsões sociais… provocadas pela mania que os portugueses têm de abreviar designações. Assim, à primeira vista, não sei como reagiria se chegasse, por exemplo, à repartição de  finanças para entregar o IRS, e um funcionário me pedisse: - Pode fazer o favor de me mostrar o C.U.! Ou então, imagino uma pobre sexagenária a chegar ao posto médico para marcar uma consulta, e a empregada, do outro lado do guiché explicar: - Para isso tem de me dar o C.U.; ou ainda o polícia de trânsito que depois de ver os documentos do veículo, pretende verificar a licença de condução, e vira-se para o condutor e pede: - Tem aí o seu C.U. para eu ver? E pior é se as datas não coincidem! Nesta situação, qualquer autoridade ou funcionário pode virar-se para o cidadão e dizer: - o senhor tem o C.U. fora de prazo, tem de actualizar o C.U. imediatamente. Ou então, e mais grave, é imaginar um estrangeiro em Portugal a desfiar uma série de documentos no aeroporto, e, o funcionário do SEF, muito atenciosamente diz-lhe com um sorriso nos lábios: - Em Portugal, apenas tem que mostrar o C.U. ! Finalmente, se o referido cartão único for de banda magnética, vamos passar a vida a passar o C.U. por uma ranhura!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-110910077346445227?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110910077346445227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110910077346445227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/02/o-perigo-do-cu.html' title='o perigo do  c.u.'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-110909827859232817</id><published>2005-02-22T10:49:00.000-08:00</published><updated>2005-02-22T10:51:18.593-08:00</updated><title type='text'>Como Cavaco??!</title><content type='html'>Agora, há que esperar pelo governo rosa para comentar caras e programas. Não me apetece falar mais de eleições, a não ser que, afinal, o PSL lá emendou a mão e vai entregar o barco laranja a outros remadores. Mas que não dá ponto sem nó, lá isso não…&lt;br /&gt;Hoje, entretanto, um amigo de direita com quem costumo ter conversas civilizadas, dizia-me isto: - Já reparaste que o Sócrates tem tudo para ser  uma versão II de Cavaco Silva?! Se não, repara. Chegou à liderança do partido de supetão, tal como cavaco; passado  poucos meses foi eleito primeiro-ministro, como Cavaco; é frio e determinado, como Cavaco, e, tem uma maioria no parlamento, como Cavaco; não é economista como Cavaco, mas é engenheiro  e pragmático como Cavaco”!... Fico a pensar que é de todo expectável que seja mais humanista que Cavaco. A ver vamos…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-110909827859232817?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110909827859232817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110909827859232817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/02/como-cavaco.html' title='Como Cavaco??!'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-110902461557909373</id><published>2005-02-21T14:21:00.000-08:00</published><updated>2005-02-21T14:23:35.583-08:00</updated><title type='text'>The day after</title><content type='html'>O dia seguinte às eleições é, apesar de tudo, o mais indicado para falar delas e deles(os protagonistas). Normalmente há dois tipos de falantes e comentadores de bancada, mas ambos têm comentários muito amargos – uns deixam transparecer o amargo da derrota, outros deixam sentir o amargo aroma do champanhe da noite anterior. Como dizia o engº Guterres, é a vida...&lt;br /&gt;E, para além da primeira maioria absoluta do PS, obtida por um líder com seis meses apenas, o que é obra (oxalá não seja pesada demais), há muito pouco para comentar, sem rodriguinhos. Como diz o meu puto, “é assim”:&lt;br /&gt;-          A direita portuguesa foi a banhos; a laranjolândia fechou para obras, e ainda por cima o porteiro não quer sair, porque sabe que cá fora há um batalhão de snypers políticos para o liquidar; o homem tem um jeitaço para o teatro, mas foi canastrão, não decorou o texto e depois todos contribuíram para a pateada de ontem, no final da primeira parte desta peça em três actos da política portuguesa; conhecida a derrocada, a direita teve dois comportamentos distintos: Santana trazia consigo “a coragem de fazer” mas não teve coragem para se demitir; Paulo Portas com muito menos escoriações resultantes do desastre, teve a dignidade de fazer! Portas preferiu sair pela porta da frente embora cabisbaixo, enquanto Santana Lopes preferiu sair de cabeça “levantada” pela porta das traseiras! – é esta a diferença. Apesar de não gostar de nenhum, é fácil perceber porque razão no CDS-PP não há Senhores Jardins e outras faltas de nível similares, e, porque razão no PSD há coisas do tipo Guilherme, Sarmento, Relvas e seus contumazes. O que ficou bem claro na noite de ontem e no dia de hoje, é que no PSD, em vez de se lamberem as feridas, vão-se  completar os escalpes, isto se contabilizarmos os machados de guerra que já se desenterraram.&lt;br /&gt;-          A esquerda grita vitória onde há duas vitórias – a do PS absoluto e a do Bloco. Ambos têm nas mãos uma oportunidade sem desculpas para “fazer” e ficar no poder por algumas décadas, ou então, perder a cabeça e perder sem regresso nas próximas eleições...&lt;br /&gt;-          Um carinho especial merece o sorridente Jerónimo, que em maré de transferência para o Bloco, até ganhou mais dois deputados.&lt;br /&gt;Mas há mais... mais logo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-110902461557909373?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110902461557909373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110902461557909373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/02/day-after.html' title='The day after'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-110876451969192725</id><published>2005-02-18T14:00:00.000-08:00</published><updated>2005-02-18T14:08:39.693-08:00</updated><title type='text'>a pata na poça, outra vez</title><content type='html'>A 48 horas das eleições legislativas, e pela segunda semana consecutiva, aquela senhora gordinha (acima do q,b.), feiozita e com voz de homem, que puseram à frente do semanário Independente, voltou a meter água! Se lerem o meu texto da passada semana acerca deste assunto, até percebem que eu não estou a defender ninguém, muito menos o engº Sócrates, que já tem 40 e tal por cento de portugueses para deixar de comprar o tal jornal. Mas, desta vez a coisa piorou, porque aparecem fac-similados documentos acusatórios com o nome do primeiro-ministro da próxima segunda-feira, garantindo o envolvimento do referido candidato no caso Freeport. Quando vi a manchete no quiosque, disse para mim mesmo: aí está a última borradela da campanha. – Porém, umas horitas mais tarde, a PJ lá veio desmentir categoricamente o envolvimento de Sócrates no caso, e, transformar em documento inócuo a folhinha do Independente. O que aconteceu ao Independente e à sua directora foi atirar com o excremento contra uma ventoinha… que é o mesmo que dizer, ao sabor da sabedoria popular, que a senhora I. S. Lopes “meteu a pata na poça”. É pena … e o semanário Independente perdeu, sabe-se lá por quanto tempo, 40 e tal por cento de potenciais clientes. Se fosse comigo, a administração punha-me na rua!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-110876451969192725?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110876451969192725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110876451969192725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/02/pata-na-poa-outra-vez.html' title='a pata na poça, outra vez'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-110864150968559852</id><published>2005-02-17T03:55:00.000-08:00</published><updated>2005-02-17T03:58:29.690-08:00</updated><title type='text'>uma "campanha alegre"</title><content type='html'>Ora vamos lá falar de política. A verdade é que continuo a ler o Ramalho, e todos os dias encontro frases e farpas escritas no século XIX que mais parecem fatos à medida para os nossos políticos de hoje!&lt;br /&gt;Depois do debate a quatro para as legislativas, e, depois de ter apreciado o dia a dia da campanha política à portuguesa, sinto-me na obrigação de opinar e tentar levantar alguns dos véus que descobrem a nudez das ideias políticas dos políticos, bem como alguns truques mais baixos das mensagens que se pretendem passar. Ora vamos lá a pegar na lupa.&lt;br /&gt;- No debate televisivo, os nossos candidatos a governar Portugal escreveram um guião completo para o “contra-informação”, vestindo fatos bons demais para os conteúdos que tapavam, e tiveram a seguinte prestação: Jerónimo de Sousa salvou-o a voz a tempo e nem mesmo o druida Panoramix lhe deu poção suficiente para salvar Santana dos votos que Sócrates contabilizou com essa fragilidade de Jerónimo, que não sabe ser personagem e é um homem de quem se gosta facilmente, julgo; Santana Lopes foi incapaz de esconder o incómodo que se sente quando se vai à primeira conferência para um divórcio, ainda por cima se um dos cônjuges (Paulo Portas) começa a ditar as partilhas do que quer para si – uma espécie de Hobbes de gravata preta, a puxar ao sentimento de Calvin; Paulo Portas passeou a sua infidelidade vestida de monge e recolheu-se em silêncios inteligentes que fizeram lembrar os filmes do Trinitá – o cowboy insolente, que punha todos à pancada e depois se sentava no balcão a ver as pedradas passar; Sócrates fez, finalmente, alguns “pause” na cassete e lá deu umas dedadas nos arguidos da direita, muito embora tenha deixado passar algumas respostas com que poderia ter ganho de forma indelével o debate, enfim, esteve muito Astérix, ao velho estilo de Cavaco; Louçã esteve completamente Obélix, e tudo o que era romano, que é como quem diz governante, voava. Foi mesmo o único que conseguiu entalar o Hobbes, tristonho e comprometido, entre os dentes, e deixar em cima do debate apenas um osso rapado.&lt;br /&gt;Enfim, foi uma banda desenhada porreiríssima…&lt;br /&gt;Falando mais seriamente acerca do próximo dia 20 de Fevereiro (faço anos, não se esqueçam…), sinto-me na obrigação de vos avisar que fui avisado de que os votos em Santana Portas, ou Paulo Lopes, ou é só Santana Lopes, acho eu, serão considerados nulos, isto porque são inconstitucionais! Porquê?!?!? – perguntam vossas senhorias. Porque só é possível votar em partidos com candidatos inteiros a primeiro-ministro, muito menos com meios candidatos, ou, candidatos unidos por meia união de facto. Eu explico: Santana Lopes tem um curriculum que permite diagnosticar perigosas probabilidades de apenas poder gerir meio Portugal, ou Portugal inteiro apenas por meio mandato! Senão vejamos: Foi secretário de Estado e saiu a meio; foi Presidente do Sporting e saiu a meio; foi Presidente da Câmara da Figueira e saiu a meio; foi Presidente da Câmara de Lisboa e saiu a meio; é primeiro-ministro e foi despedido com justa causa a meio. Como a Constituição não permite meios votos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Dizem as boas línguas, à boca piquena que Santana Lopes vai dividir-se no futuro entre as freguesias do “Kremlin” e da Kapital. )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-110864150968559852?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110864150968559852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110864150968559852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/02/uma-campanha-alegre.html' title='uma &quot;campanha alegre&quot;'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-110817608624533985</id><published>2005-02-11T18:37:00.000-08:00</published><updated>2005-02-11T18:41:26.246-08:00</updated><title type='text'>política ou jornalista?</title><content type='html'>Em que ficamos, ó Inês S. Lopes, política ou jornalista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito bem. Vamos lá a falar de política. Estava a ver se escapava à tentação de perder algum tempo a comentar coisas sem grande interesse porque protagonizadas por pessoas normalmente pouco interessantes. E depois, a gente tem que olhar pelo futuro dos putos, não vão eles enveredar pela política e terem um estatuto social abaixo do da prostituição! Bom, decidi escrever sobre as nossas campanhas e políticas depois de ter assistido às declarações daquele senhor anafado da Madeira, que leva boa vida à custa de todos nós e das zonas francas e dos paraísos fiscais. Acho mesmo que a sua única característica genuína é mesmo a boçalidade inconsciente, e a sua grande qualidade é conseguir pôr os portugueses a rir com os seus disparates. Ao tempo de Herculano, este seria uma outra espécie de Bobo da corte.&lt;br /&gt;Entretanto, depois da onda de calúnias sobre a opção sexual do engº Sócrates, surge hoje o caso Freeport sugerindo um “crime político” de Sócrates enquanto ministro de Guterres. No mesmo dia, na mesma manhã em que o Independente lança esta atoarda em primeira página, o Procurador Geral da República vem a público, oficialmente, dizer exactamente o contrário! E agora? Estou à vontade para comentar esta questão por duas razões de peso, a saber: primeiro, porque até nem gosto do engº Sócrates, embora concorde que é o único minimamente decente para ser primeiro-ministro de Portugal, e segundo, porque sou jornalista há muitos anos e não entendo que a directora do Independente alinhe nesta política de queima-gente, na primeira página, e escreva um editorial perfeitamente ridículo a desculpar-se do indesculpável, na última página. Todavia ficam-me algumas dúvidas, a saber: Se a função maior de um director de um órgão de comunicação social é defender a instituição, então, o que ganhou o Independente com esta notícia? Ou, se o objectivo é claramente político, é o engº Sócrates que fica a perder, ou, é o dr. Santana Lopes que fica a ganhar? Por acaso, penso que é exactamente o contrário (o povo português é sábio...) Fico é triste, porque a nossa profissão merece ser melhor dignificada! Mas, infelizmente, há de tudo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-110817608624533985?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110817608624533985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110817608624533985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/02/poltica-ou-jornalista.html' title='política ou jornalista?'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-110790557195973776</id><published>2005-02-08T15:28:00.000-08:00</published><updated>2005-02-08T15:32:51.960-08:00</updated><title type='text'>a morte da Laica e a puta da vida...</title><content type='html'>Numa casa onde há seis cães em convívio diário connosco é muito mais fácil perceber o verdadeiro sentido da lealdade, da amizade e da cumplicidade consentida. É ainda mais claro perceber porque razão se diz que quanto mais se conhecem os cães, menos se gosta de certos  humanóides. É com eles que mais me agrada partilhar os ruídos do meu silêncio, e faço-o todos os dias com a satisfação de quem troca palavras por olhares ou obediência por afectos. De entre todos os cães de minha casa, a Laica é, sem dúvida, o exemplo do que podemos chamar “uma vida de cadela”. Nascida de um cruzamento de Doberman com um Pastor alemão, grandinha, portanto, a Laica, como única fêmea da matilha, pariu durante anos a fio crias anuais de onde saíram todos os cães da casa dos últimos quinze anos, e mesmo assim, continuou a ser a melhor guarda dos seus filhos e da sua casa, bem como a melhor ouvinte dos seus donos; era aquele tipo de cadela com quem se desabafam inconfidências que se não podem desabafar com as pessoas, para se não perder aquela réstia de liberdade que é constituída pelos pensamentos que nunca dizemos a ninguém e que apenas desabafamos com o espelho da casa de banho, com o volante do carro, com as pedras da calçada, com a curta vida de um cigarro, ou, com a Laica.&lt;br /&gt;A noite passada, depois de aturar, sentado no sofá da minha modorra, políticos a ladrar ao voto, e depois de exercitar a líbido da minha memória estimulada pelo carnaval do Brasil, depois do último cigarro, ouvi alguns latidos da Laica, que imaginei com frio ou incomodada por algum dos garanhões da casa; fechei a televisão, escorropichei o copo, peguei no Camilo e fui-me para dentro de lençóis. Esta manhã o latido da Laica voltou a chamar-me, e eu fui à conversa com aquela fiel confidente. A conversa já só foi de olhares e de tratamentos de urgência que a Laica mal consentiu, admitindo o momento da partida e olhando-me como que a pedir alguma dignidade aos homens, e garantindo-me que as minhas confidências partiam consigo, até que um dia destes a gente provavelmente se encontre. Carinhos e palavras foi o pobre contributo que pude dar a esta minha amiga, antes da viagem a que estava destinada. A meio da tarde de hoje fui de novo para junto dela, na expectativa de a ver melhor; estava deitada de forma aprumada a olhar para mim, o mesmo olhar de sempre, mas frio e distante como são todos os olhares da morte. Deixei-me escorregar pela parede da tristeza e dei-lhe um último abraço, que ela já não sentiu, ou talvez sim.&lt;br /&gt;Entretanto, os telejornais não noticiaram a morte da Laica, mas mostraram os políticos em pleno carnaval eleitoral, duas esposas dondocas a fazer esqui na Serra da Estrela, uma passagem de modelos Versage, 1300 acidentes de automóvel, um hipócrita e falso acordo de paz no Médio Oriente, o Miguel Sousa Tavares com um fato novo pago com os duzentos contos por dia que o Equador lhe dá, cinco violações, três casos de pedofilia, quatro de suborno, e, claro, futebol, muito futebol com futebolistas e dirigentes, alguns dignos do olhar da Laica, outros demasiado parolos exibindo o seu rolex e o seu Audi modelo Pato-Bravo.  Amanhã, provavelmente, os telejornais não vão ser muito diferentes – mais morte menos morte, mais cu menos cu à mostra, mais promessa menos promessa eleitoral, mais golo menos golo, mais escândalo menos escândalo. Eu, fico com o volante do carro, com o espelho da barba, e com o olhar dos outros cães. A Laica vai a enterrar, e assim continua a puta da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-110790557195973776?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110790557195973776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110790557195973776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/02/morte-da-laica-e-puta-da-vida.html' title='a morte da Laica e a puta da vida...'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-110764689449693078</id><published>2005-02-05T15:36:00.000-08:00</published><updated>2005-02-05T15:41:34.496-08:00</updated><title type='text'>o espírito da urna</title><content type='html'>O espírito da urna&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;« ... O deputado é um empregado de confiança. Somente a sua “nomeação” não é feita por um decreto nitidamente impresso no “Diário do Governo”. O processo da sua nomeação é mais complicado. É por meio de votos, os quais são tiras de papel, onde está escrito um nome, e que se deitam no Domingo, numa igreja, dentro dumas caixas de pau, que se chamam romanticamente “urnas”, entre as genuflexões de beatas que entram para a missa, e a campainha aguda do sacrista que tange ao levantar da hóstia! Alguns homens graves, de camisas lavadas, estão em roda da urna. Aqueles homens chamam-se “a mesa”. São eles que com gesto cívico e todo cheio do espírito das instituições, metem gravemente o papelinho branco – o voto – dentro da caixa – a urna.”&lt;br /&gt;(in As Farpas de Eça de Queirós e Ramalho Ortigão – 1871)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inevitável falar de política e de eleições, a meia dúzia de dias de ir às urnas. Poderíamos falar de candidatos a deputados ou a ministros, das suas qualidades ou debilidades, das suas promessas e de alguma pobreza dos seus discursos e atitudes; poderíamos falar dos cartazes gigantes espalhados pelo país, das suas mensagens e do seu melhor ou pior gosto, ou ainda dos comícios contabilizáveis, tipo claques ou “torcidas” futebolísticas, tipo “Diablos Socráticos” desafiam “SuperSantanetes” ou “Ninjas Paulistas” confrontam “Fúria Bloquista”, e assim sucessivamente; poderíamos ainda falar de problemas concretos do país e das regiões em particular, mas quem nos ouviria? Os portugueses requisitam afanosamente o debate das ideias e das soluções para os problemas graves de Portugal, mas não lhes ligam muito. Não é aí que está o “share” dos candidatos e dos partidos de um país que não hesitaria em eleger, antes de mais, José Castelo Branco, Cinha Jardim, ou Alexandre Frota para o “seu” Parlamento.&lt;br /&gt;É mais importante falar de casamentos homosexuais, de quem vaia a cama com quem, das declarações de IRS dos candidatos, de quem aborta ou não aborta, de quem se senta ao colo de quem, ou, quem veste os fatos e as gravatas de quem.  Os 500.000 desempregados que se lixem, os 50.000 professores mal colocados que vão pentear macacos, as vítimas dos incêndios por indemnizar que comam cinzas e durmam ao relento, os soldados da GNR no Iraque que se amanhem com umas bombas, etc, etc...&lt;br /&gt;Entretanto, em cada círculo eleitoral, consoante a expectativa das sondagens, começam a perfilar-se os candidatos à sopa dos potes de nomeação regional partidocrática, onde, por tradição, se condimenta o caldo com doses de mediocridade dos “meirinhos” ávidos de um bom carro preto conduzido por um branco...&lt;br /&gt;Tudo isto se vai decidir nas urnas no próximo dia 20 de Fevereiro. É assim há muitos anos, desde que há eleições em Portugal. Basta ler “As Farpas” de Ramalho e Eça, escritas há 134 anos, a propósito das eleições para a Câmara de Deputados de 1871:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“... A urna, deve dizer-se, afecta várias formas, segundo as freguesias: há urnas da forma de caixas de açucar, da forma de vasilhas, da forma de chávenas, etc. Os candidatos dizem sempre, no último período dos seus manifestos, transportados em furor patriótico:&lt;br /&gt;- Cidadãos, à urna!&lt;br /&gt;Mas é puramente uma denominação sentimental. Para serem exactos, reais, deveriam dizer em certas freguesias:&lt;br /&gt;- Cidadãos, ao caixote!&lt;br /&gt;E em outras:&lt;br /&gt;- Cidadãos, à vasilha!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sirvamo-nos da universalidade destes autores para reflectir e acrescentemos:&lt;br /&gt;- Cidadãos, ao pote de Bisalhães!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá para o dia 21de Fevereiro, logo se provará o sabor do caldo. Apaladado para uns, amargo para outros, uma certeza podemos ter, não chegará para todos, e continuarão a beneficiar do caldo os que tiverem maior e melhor colher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;josé braga-amaral&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-110764689449693078?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110764689449693078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110764689449693078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/02/o-esprito-da-urna.html' title='o espírito da urna'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-110643166380812855</id><published>2005-01-22T14:05:00.000-08:00</published><updated>2005-01-22T14:07:43.806-08:00</updated><title type='text'>portugal no seu pior...</title><content type='html'>Portugal no seu pior...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é sábado e dou comigo a pensar que a semana que passou não me deixou blogar, mas não evitou que eu visse e ouvisse o que vai no país do faz de conta. Aliás, estou a pensar conceber um jogo tipo “Politólogos em Família” para propor à Majora. Para a semana vou começar a publicar as regras uma a uma no mundo da blogosfera. Ora vamos lá ao mundo da estupidosfera, que é o da política à portuguesa. Apontamentos desta semana:&lt;br /&gt;-          Conheço o Nuno Cardoso desde o tempo em que se ia de calções e suspensórios para o liceu. Foi meu caloiro no liceu da Régua, a terra onde nasceu e onde o Nuno chegou quando eu andava no 4º ano de então. Ainda este Natal nos cumprimentamos com o mesmo afecto de há 30 e tal anos, porque o Nuno é assim – simples, honesto e filho de muito boa gente -, por isso é que se sente. Fala do que sabe com verdade, sem a hipocrisia latina do politicamente correcto, é oriundo de uma região onde os homens aprendem a sonhar com a mesma força com andam à pancada com um rio de muito mau navegar. Se juntarem o exemplo da frontalidade politicamente incorrecta do Emgº Nuno Cardoso com a mesma frontalidade de Pôncio Monteiro, perceberão os militantes intelectualóides dos aparelhos partidários e os comentadores políticos a soldo dos mesmos, que não será de todo conveniente brincar com pessoas honestas deste tipo de criação. O Douro inteiro está ao lado dos seus, e não nos obriguem a tocar a rebate. Combinado?&lt;br /&gt;-          O moribundo governo português resolveu assumir um passivo de 100 milhões de euros para viabilizar a Fundação da Casa da Música, no Porto! O espanto é que o mesmo ministério que o propôs, não foi capaz de desencalhar 1% desse montante para viabilizar a Fundação do Museu do Douro, que está encalhado há 7 anos, e, é apenas o maior projecto de museu de território do país, criado por lei da Assembleia da República de 1997! Foi ainda o único projecto que reuniu o consenso unânime de toda a região nos últimos 30 anos! Tudo por incompetência do ministério da cultura, ou, por força dos lobbies da capital que foram levantando os obstáculos necessários ao atraso do projecto! Tudo depois de a equipa de instalação do museu, que trabalhou ao longo de mais de dois anos, ter aberto a sua exposição programática – Jardins Suspensos – que mereceu a visita de cerca de 30.000 pessoas em apenas um ano! Tudo depois do Ministério ter comprado o mais emblemático edifício da região – a Casa da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro – por 1,7 milhões de euros! Tudo isto para perder o direito aos 75% de fundos do III QCA! A pergunta é: Quem vai ser responsabilizado por isto?&lt;br /&gt;-          De resto, os políticos portugueses continuam no seu melhor, a jogar aos disparates com a massa de todos nós!; o governo enche páginas do diário da República com centenas de nomeações de última hora, e os noticiários continuam a amparar-lhes a brincadeira; entretanto, começou a javardice das manchetes criminosas acerca dos políticos. Tirem-me deste filme.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-110643166380812855?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110643166380812855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110643166380812855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/01/portugal-no-seu-pior.html' title='portugal no seu pior...'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-110574878133798527</id><published>2005-01-14T16:23:00.000-08:00</published><updated>2005-01-14T16:26:21.336-08:00</updated><title type='text'>uma democracia única!</title><content type='html'>Nos últimos dias Portugal tem assistido a uma alucinante sucessão de episódios que, infelizmente, vêm dar razão ao que penso da nossa maltratada democracia. Chega-se a casa cansado, farto dos disparates com que o quotidiano nos obriga a conviver, e liga-se a televisão na expectativa de distrair a mente, mas rapidamente se percebe que é pura ilusão. Os noticiários começam sempre pela célebre “paralítica”, que o estado em que está a nossa política. A incompetência e inconsistência dos políticos portugueses da actualidade enfada-nos, entristece-nos e deixa-nos com vontade de mandar o país às malvas! Ora porque os governantes andam a jogar ao jogo dos disparates com o nosso dinheiro, ora porque as oposições são frágeis e más. Valha-nos o Presidente Sampaio, à conversa com os chinocas, a dançar o malhão ou coisa que o valha, falando inglês melhor do que qualquer dos 1300 milhões de nipónicos e defendendo interesses do seu país. De resto, ele são as listas de deputados a disputarem os “malucos do riso” da sic, ele são os comentadores políticos ao desafio com os “batanetes” da tvi, ou ainda os dirigentes desportivos a contracenar com os candidatos a “ídolos” em fase de apuramento!&lt;br /&gt;Para além disto, restam as repetidas imagens da tragédia do sudeste asiático com repórteres e pivots disputando audiências, em tudo iguais aos abutres que a National Geografic nos mostra em círculos à volta da carne morta.&lt;br /&gt;Eis o cenário que me suscita duas questões: Será que os portugueses são sádicos por natureza? Ou será que a massa crítica da maioria dos portugueses bateu no fundo por habituação?&lt;br /&gt;Ou será que Portugal tem a democracia mais sui generis do mundo, isto é, a única democracia suportada por duas ditaduras – a partidocracia e a mediocridade?&lt;br /&gt;Digo eu, não sei…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-110574878133798527?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110574878133798527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110574878133798527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/01/uma-democracia-nica.html' title='uma democracia única!'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-110528581755762268</id><published>2005-01-09T07:48:00.000-08:00</published><updated>2005-01-09T07:50:17.556-08:00</updated><title type='text'>antes que esqueça</title><content type='html'>Tarde e más horas cá cheguei à Blogosfera! Alguém me criou o blog, deram-lhe um nome, e a seguir o mesmo alguém disse: Agora vê se escreves. Como estávamos a iniciar o ano, deixei que esta aventura  começasse com uma crónica rescaldo do malfadado 2004.&lt;br /&gt;Entretanto, alguém me ligou e alertou para o facto de não ter criado um conceito para o meu espaço blog. Ao mesmo tempo, alguém me provocava: – Com que então já deste entrada na nova fábrica de intelectuais mediáticos?!... Não quero nada disso, tirem-me desse filme. Estou tão bem, no sossego das vinhas do Douro, onde ainda é possível escutar os ruídos do silêncio, sem deixar de estar em contacto com o resto do mundo. É claro que é preciso dizer uma meia dúzia de coisas de quando em vez; é preciso puxar as orelhas a meia dúzia de medíocres, que envergonham a língua portuguesa diariamente, dando razão e universalidade actual às Farpas do Eça e do Ramalho. Falta por aí alguém que compare essas críticas com os disparates, a falta de decoro e a mediocridade que se retira dos diários da Assembleia da República dos nossos dias. &lt;br /&gt;É claro que ainda estão vivos meia dúzia de políticos com nível, cultos e competentes, da nossa democracia, mas insuficientes para lutar contra  a filoxera portuguesa da actualidade – a mediocridade e a partidocracia – que é como quem diz, a democracia portuguesa está paraplégica e é sustentada por estas duas ditaduras, que lhe servem de muletas!!!!!!!!!!!!!!!!!!&lt;br /&gt;Digo eu, não sei.&lt;br /&gt;É claro que ainda há por aí gente boa e boa gente, que é como quem diz, gente honesta, que sabe o que diz e apenas diz o que sabe. (mas são muito poucos) .&lt;br /&gt;Aqui, na dita província, as conversas fazem-se mais à volta da lareira, com os cães por perto, bom vinho do Porto e bons livros. No passado final de ano, já de cálice vazio, alguém se lembrou de me perguntar: - Ó Zé, e tu que dizes dos fazedores de opinião das televisões? – Digo o que me apetece. – respondi; - Tá bem, homem, mas acreditas em algum?; há por aí dois ou três que me agradam – O Sousa Tavares parece-me honesto, mas não sei que café frequenta(?) e é do muito Puarto, carago; o Pacheco Pereira é corajoso, sabe do que diz o diacho do home, mas ainda tem o penico dependurado à porta do partido; há ainda aquele rapaz de direita, com piada e sabedor, o Pedro Mexia, mas bebe água tónica em vez de vinho do Porto...&lt;br /&gt;Enfim, aqui o Zé da Vinha, vai aproveitar este recreio para puxar orelhas e dar palmatoadas à rapaziada, tudo entre o sossego dos bardos e nunca sem antes ouvir o bom senso dos canitos deitados à lareira.&lt;br /&gt;Digo eu, não sei...&lt;br /&gt;Inté.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-110528581755762268?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110528581755762268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110528581755762268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/01/antes-que-esquea.html' title='antes que esqueça'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9681308.post-110461772110358630</id><published>2005-01-01T14:09:00.000-08:00</published><updated>2005-01-12T15:08:21.500-08:00</updated><title type='text'>um ano para esquecer</title><content type='html'>A três dias do fim do ano, antes de subir os penosos degraus que me levam à redacção, estaciono o sono em frente ao quiosque e compro o jornal cuja primeira página misturo com o café-cheio da manhã.&lt;br /&gt;Fico com o pacote de açúcar parado a meio do caminho, porque entre a chávena e o jornal há a fotografia de um homem da costa do Sudeste Asiático, agarrado à mão de uma criança morta pelo tsunami de 26 de Dezembro de 2004. A avaliar pela semelhança das mãos é, provavelmente, um filho. Com a dor – é essa a única palavra-legenda – estampada no rosto, aquele homem passeia a sua existência pelas dúvidas da angústia e da impotência perante uma natureza ladra, que sem pedir licença aos deuses, invejosa como sempre, resolve ceifar num ápice centenas de milhar de vidas– apenas um rosto de entre mais de 200mil.&lt;br /&gt;É assim que me ponho a pensar no presente e a fazer uma retrospectiva do ano que agora faz gáudio em terminar com uma tragédia. São assim as grandes notícias, com direito a parágrafos de abertura, mesmo que a morte seja o motivo da fidelidade de quem as lê. Nada melhor para encerrar um ano catastrófico para o mundo e para os portugueses, perdoe-se a ironia de mau gosto. Senão vejamos:&lt;br /&gt;- No natal português de 2004 tivemos mais 150.000 famílias a viver o drama do desemprego;&lt;br /&gt;- Portugal passou por dois governos – um estrangulou-nos e outro estrangulou-se com a corda da sua incompetência - com dois primeiros-ministros ímpares – o primeiro fugiu para Bruxelas antes da casa cair, trocando um punhado de trapalhadas que não sabia resolver por um ordenado chorudo, o segundo trocou o jogo das saias nas noites da capital pelo jogo dos disparates no palácio de S. Bento! E como se isso não chegasse, permitiu aos seus sequazes imperdoáveis trincadelas na democracia e na liberdade;&lt;br /&gt;- Na Assembleia da República os nossos deputados elevaram a política ao seu menor conceito, permitindo que o ridículo da política portuguesa batesse no fundo – discutiram o país aos coices e proferiram discursos que mais pareciam relinchos – e enquanto isso, nós lá fomos pagando o recreio de luxo dos rapazes;&lt;br /&gt;- Os rapazes governantes pregaram meia dúzia de mentiras ao povo e, à bela maneira do merceeiro sacaram 1400 milhões de euros aos trabalhadores da CGD para baixar as calças do défice à Europa dos incumpridores – primeiro apertaram-nos o cinto até ao furo zero, depois puseram-se a jogar monopólio com o nosso património.&lt;br /&gt;- O Presidente da República, depois de quatro meses de recreio, dissolveu a A.R. e os rapazes amuaram, como faziam os miúdos da escola primária quando levavam umas palmatoadas por não fazerem os trabalhos de casa;&lt;br /&gt;- Entretanto, a maioria dos portugueses divertiu-se a apreciar os shows mediáticos dos processos Casa Pia e Apito Dourado, como se se tratasse de uma espécie de Quinta das Celebridades, com mais porquinhos e menos vaquinhas, mas ao mesmo nível de mediocridade e audiências;&lt;br /&gt;- Entretanto, sociólogos, psicólogos, e comentadores anunciaram até à exaustão que Portugal está deprimido – e está mesmo;&lt;br /&gt;- E perguntar-me-ão os leitores: Então e as alegrias e euforias do Euro 2004? – Efeito balão! – respondo eu. O Euro 2004 funcionou enquanto durou, como o balão que se enche para saltitar de mão em mão enquanto não se esvazia – bandeiras nas janelas, vitórias em campo, lágrimas de emoção, orgulho nacional, e… o dia seguinte à derrota com a Grécia!&lt;br /&gt;Mas não ficamos sozinhos. A nível internacional, bem podemos elencar uma série de desgraças – O ataque terrorista do 11 de Março em Madrid, a interminável guerra suicida do Iraque, o homicídio terrorista às crianças de Beslan, a contínua desculpa de Pinochet, a vitória de Busch, a morte de Arafat, etc, etc, etc…&lt;br /&gt;Mas Portugal não pode nem deve continuar a viver com o mal dos outros, exibindo orgulhosamente o seu umbigo ao léu, como agora s&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9681308-110461772110358630?l=braga-amaral.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110461772110358630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9681308/posts/default/110461772110358630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://braga-amaral.blogspot.com/2005/01/um-ano-para-esquecer.html' title='um ano para esquecer'/><author><name>José Braga-Amaral</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00583912500404961704</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
